domingo, 27 de maio de 2012

Lula faz chantagem com o STF para livrar os comparsas do mensalão.


O ex-presidente Lula vem erguendo desde o começo de abril o mais obsceno dos numerosos monumentos à cafajestagem forjados desde 2005 para impedir que os quadrilheiros do mensalão sejam castigados pela Justiça. Inquieto com a aproximação do julgamento, perturbado pela suspeita de que os bandidos de estimação correm perigo, o Padroeiro dos Pecadores jogou o que restava de vergonha numa lixeira do Sírio Libanês e resolveu pressionar pessoalmente os ministros do Supremo Tribunal Federal. De novo, como informou VEJA neste sábado, o colecionador de atrevimentos derrapou na autoconfiança delirante e bateu de frente com um interlocutor que não se intimida com bravatas.
A reportagem de Rodrigo Rangel e Otávio Cabral reproduz os momentos mais espantosos do encontro entre Lula e o ministro Gilmar Mendes ocorrido, há um mês, no escritório mantido em Brasília pelo amigo comum Nelson Jobim, ex-ministro do Supremo e ex-ministro da Defesa. A conversa fez escala em assuntos diversos até que o palanque ambulante interrompeu o minueto para dar início ao forró do mensalão. “Fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula”, disse Gilmar a VEJA. Não é para menos.
“É inconveniente julgar o processo agora”, começou Lula, lembrando que, como 2012 é um ano eleitoral, o PT seria injustamente afetado pelo barulho em torno do escândalo. Depois de registrar que controla a CPI do Cachoeira, insinuou que o ministro, se fosse compreensivo, seria poupado de possíveis desconfortos. “E a viagem a Berlim?”, perguntou em seguida, encampando os boatos segundo os quais Gilmar Mendes e Demóstenes Torres teriam viajado para a cidade alemã num avião cedido por Carlinhos Cachoeira, e com todas as despesas pagas pelo meliante da moda.
Gilmar confirmou que se encontrou com o senador em Berlim. Mas esclareceu que foi e voltou em avião de carreira, bancou todas as despesas e tem como provar o que diz. “Vou a Berlim como você vai a São Bernardo. Minha filha mora lá”, informou, antes da recomendação final: “Vá fundo na CPI”. Lula preferiu ir fundo no palavrório arrogante. Com o desembaraço dos autoritários inimputáveis, o ex-presidente que não desencarnou do Planalto e dá ordens ao Congresso disse o suficiente para concluir-se que, enquanto escolhe candidatos a prefeito e dá conselhos ao mundo, pretende usar o caso do mensalão para deixar claro quem manda no STF.
Alguns dos piores momentos da conversa envolveram quatro dos seis ministros que Lula nomeou:
CARMEM LÚCIA
“Vou falar com o Pertence para cuidar dela”. (Sepúlveda Pertence, ex-ministro do STF e hoje presidente da Comissão de Ética Pública, é tratado por Carmen Lúcia como “guru”).
DIAS TOFFOLI
“Ele tem que participar do julgamento”. (O ministro foi advogado do PT e chefe da Advocacia Geral da União. Sua mulher defendeu três mensaleiros. Mas ainda não descobriu que tem o dever de declarar-se sob suspeição).
RICARDO LEWANDOWSKI
“Ele só iria apresentar o relatório no semestre que vem, mas está sofrendo muita pressão”. (Só falta o parecer do revisor do processo para que o julgamento comece. Lewandowski ainda não fixou um prazo para terminar o serviço que está pronto desde que ganhou uma toga).
Os outros dois ministros nomeados por Lula são Joaquim Barbosa (considerado “um traidor”) e Ayres Britto, a quem Gilmar relatou na quarta-feira o encontro em Brasília. O atual presidente do STF soube pelo colega que Lula pretende seduzi-lo com a ajuda do jurista Celso Antonio Bandeira de Mello, amigo de ambos e um dos patrocinadores da sua indicação. Imediatamente, Ayres Britto associou o que acabara de escutar ao que ouviu de Lula num recente almoço no Palácio da Alvorada. “O ex-presidente me perguntou se eu tinha notícias do Bandeirinha e disse: ‘Qualquer dia a gente toma um vinho’”, contou o ministro a VEJA.
Na mesma quarta-feira, a chegada ao STF de um documento assinado por dez advogados de mensaleiros comprovou que Lula age em parceria com a tropa comandada pelo inevitável Márcio Thomaz Bastos. “Embora nós saibamos disso, é preciso dar mostras a todos de que o Supremo Tribunal Federal não se curva a pressões e não decide ‘com a faca no pescoço’”, diz um trecho desse inverossímil hino à insolência. A expressão foi pinçada da frase dita em 2007 pelo ministro Ricardo Lewandowski, num restaurante em Brasília, depois da sessão que aprovou a abertura do processo do mensalão. Faltou completar a frase do revisor sem pressa: “Todo mundo votou com a faca no pescoço. A tendência era amaciar pro Dirceu”.
O escândalo descoberto há sete anos se arrasta no STF há cinco, mas os dez doutores criticaram “a correria para o julgamento, atiçada pela grita”. Eles resolveram dar lições ao tribunal por estarem “preocupados com a inaudita onda de pressões deflagradas contra a mais alta corte brasileira”. O Brasil decente faz o que pode para manifestar seu inconformismo com o tratamento gentil dispensado pela Justiça a pecadores que dispõem de padrinhos poderosos e advogados que cobram por minuto. São pressões legítimas. Preocupante é o cerco movido a um Poder independente por um ex-chefe do Executivo. Isso não é uma operação política, muito menos uma ação jurídica. É um genuíno caso de polícia.
Se os bacharéis do mensalão efetivamente se preocupam com pressões ilegais, devem redigir outro documento exigindo que Lula aprenda a comportar-se como ex-presidente e pare de agir como comparsa de um bando fora-da-lei.

Chantagista Lula, faz chantagem com o STF.


Caros, é preciso dar à iniciativa de Lula, de tentar encabrestar o Supremo (ver post na home), a sua devida dimensão. Espalhem a verdade na rede. Um ex-presidente da República, chefe máximo do maior partido do país  — que está no poder —, atuou e atua como chantagista da nossa corte suprema. Lula se coloca no papel de quem pode chantagear ministros do STF.
Nosferatu não quer largar o nosso pescoço e o do estado de direito! Chega, Nosferatu!  Vá militar no Sindicato dos Vampiros Aposentados!
Nosferatu não quer largar o nosso pescoço e o do estado de direito! Chega, Nosferatu! Vá militar no Sindicato dos Vampiros Aposentados!
A reportagem que VEJA traz na edição desta semana expõe aquela que é a mais grave agressão sofrida pelo estado de direito desde a redemocratização do país — muito mais grave do que o mensalão!!! Alguns setores da própria imprensa resistem em dar ao caso a sua devida dimensão, preferindo emprestar relevo a desmentidos tão inverossímeis quanto ridículos, porque se acostumaram a ter no país um indivíduo inimputável, que se considera acima das leis, das instituições, do decoro, dos costumes, do razoável e do bom senso. Quanto ao dito “desmentido” de Nelson Jobim, acho que o post publicado pelo jornalista Jorge Moreno (ver abaixo) fala por si mesmo.
Não há por que dourar a pílula. O que Lula tentou fazer com Gilmar Mendes tem nome nos dicionários: “chantagem”. O Houaiss assim define a palavra, na sua primeira acepção:“pressão exercida sobre alguém para obter dinheiro ou favores mediante ameaças de revelação de fatos criminosos ou escandalosos (verídicos ou não)”.Atenção, minhas caras, meus caros, para a precisão do conceito: “verídicos ou não”!!! No “Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa”, aquele que já registra o verbete “petralha”, lemos:“Pressão que se exerce sobre alguém mediante ameaça de provocar escândalo público, para obter dinheiro ou outro proveito; extorsão de dinheiro ou favores sob ameaça de revelações escandalosas”.Atenção para a precisão do conceito: “mediante ameaça de provocar escândalo público”. A questão, pois, está em “provocar o escândalo”, pouco importando se com fatos “verídicos ou não”.
Aplausos para o ministro Gilmar Mendes, que não se acovardou! É bom lembrar que, pouco depois dessa conversa, seu nome circulou nos blogs sujos, financiados com dinheiro público, associado à suposição de que teria viajado à Alemanha com o patrocínio de Carlinhos Cachoeira. Não aconteceu, claro! Mendes tomou as devidas precauções: comunicou o fato a dois senadores, ao procurador-geral da Repúbica e ao Advogado Geral da União. Poderia mesmo, dada a natureza da conversa e seu roteiro, ter, no limite, dado voz de prisão a Lula. Imaginem o bafafá!
Não é segredo para ninguémAs ações de Lula nos bastidores não são segredo pra ninguém. TODOS — REITERO: TODOS!!! — OS JORNALISTAS DE POLÍTICA COM UM GRAU MÍNIMO DE INFORMAÇÃO PARA SE MANTER NA PROFISSÃO SABEM DISSO! E sabem porque Lula, além de notavelmente truculento na ação política — característica que passa mais ou menos despercebido por causa de estilo aparentemente companheiro e boa-praça —, é também um falastrão. Conta vantagens pelos cotovelos. Dias Toffoli, por exemplo, é um que deveria lhe dar um pito. O ex-presidente e seus estafetas têm a pretensão não só de assegurar que ele participará do julgamento como a de que conhecem o conteúdo do seu voto.
Lula perdeu a mão e a noção de limite. Não aceita que seu partido seja julgado pelas leis do país, assim como jamais aceitou os limites institucionais nos quais tinha de se mover. Considera que a legalidade existe para tolher seus movimentos e para impedir que faça o que tem de ser feito “nestepaiz”.
Sua ação para encabrestar ministros do Supremo é, se quiserem saber, mais nefasta do que o avanço do Regime Militar contra o Supremo. Aquele cassou ministros — ação que me parece, em muitos aspectos, menos deletéria do que chantageá-los. O mensalão foi uma tentativa de comprar o Poder Legislativo, de transformá-lo em mero caudatário do Executivo. A ação de agora busca anular o Judiciário — na prática, o Poder dos Poderes.
Obrigação do Supremo
O Supremo está obrigado, entendo, a se reunir para fazer uma declaração, ainda que simbólica, à nação: trata-se de uma corte independente, de homens livres, que não se submete nem à voz rouca das ruas nem à pressão de alguém que se coloca como o dono da democracia — e, pois, como o líder de uma tirania.
Chegou a hora de rechaçar os avanços deste senhor contra as instituições e lhe colocar um limite. A Venezuela não é aqui, senhor Luiz Inácio. E nunca será! De resto, é inescapável constatar: ainda que haja ministros que acreditem, sinceramente e por razões que considera técnicas, que os mensaleiros devem ser inocentados, não haverá brasileiro nestepaiz que não suspeitará de razões subalternas. Pior para o ministro? Pode até ser, mas, acima de tudo, pior para o país.
Lula se tornou um vampiro de instituições. É um passado que não quer passar. É o Nosferatu do estado de direito!
Por Reinaldo Azevedo

sábado, 19 de maio de 2012

Brasil tem de encarar seus pontos fracos: A corrupção.


A tradicional revista britânica The Economist dedicou duas matérias ao Brasil na edição desta semana, nas quais chama a atenção para o risco de a economia brasileira ter deixado para trás sua fase de maior pujança e dá um puxão de orelha no governo Dilma: já é hora de encarar de frente as fraquezas do país.
Uma das reportagens, intitulada 'A reação do Brasil', comenta que uma taxa de crescimento em torno de 3,5% neste ano pode parecer confortável, mas está abaixo do que o país poderia oferecer. O problema é que um quadro de maior pujança está cada vez mais distante. A revista afirma que algumas das fontes responsáveis pelo bom desempenho do PIB nos últimos anos estão se esgotando, como, por exemplo, o fornecimento de commodities para a China e o 'bônus' da revolução regulatória promovida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Além disso, há críticas sobre o fato de o país ter se tornado um lugar muito caro para fazer negócios, graças à elevada carga tributária, ao desperdício de dinheiro público e a leis descabidas.
Riscos – A reportagem relembra que a economia brasileira expandiu-se 7,5 % em 2010, tornando-se a sétima maior do mundo. "O país acostumado a hiperinflação e a calotes finalmente relaxou", diz. O tempo de comemoração, contudo, foi curto. Em 2011, o crescimento foi de apenas 2,7%, bem abaixo da faixa de 4,5% a 9% em que estão situados os desempenhos de outros membros do grupo dos Brics. Para piorar, analistas reduzem dia após dia suas expectativas de crescimento para este ano. AEconomist conclui que as recentes reduções de juros – tanto a taxa básica como as cobradas pelas instituições financeiras – até podem ajudar a economia, mas não muito, uma vez que os consumidores já estão superendividados e os bancos, apertados.
A revista destaca também o argumento do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o governo vem cortando tributos para ajudar a indústria e que a arrecadação segue em alta porque mais empresas estão se formalizando. Oferece também o contraponto ao citar Raphael de Cunto, sócio do escritório de advocacia Pinheiro Neto, que critica o governo. Para ele, o Planalto está muito mais empenhado em cobrar do que em simplificar, aumentando a carga tributária das empresas. Alguns economistas ouvidos pela Economist ressaltam também o indesejado aumento da intervenção do estado na economia. Joseph Harper, da Explorador Capital Menagement, diz que a Petrobras e a Vale preocupam-se hoje mais com os interesses do governo do que com seus acionistas minoritários.
Investimento – Diante de um quadro que se apresenta cada vez menos favorável, as velhas reformas tributária, fiscal, trabalhista, entre outras, mostram-se urgentes. A revista reconhece o esforço da presidente Dilma Rousseff em querer eliminar o déficit fiscal, além de elogiar os cortes de impostos para indústria, a privatização dos aeroportos e o ataque ao oligopólio bancário existente no país – uma das razões que explicam o fato de o Brasil ter um dos spreads mais altos do mundo. "Mas, mesmo assim, seus esforços são tímidos", afirma a revista.
A reportagem chama a atenção de seus leitores para o fato de a presidente ser responsável por uma 'ingênua' política protecionista e para os sinais de que está disposta a se contentar com um crescimento abaixo de 4%. Assim, investidores já começam a olhar para outros mercados na América Latina que parecem mais promissores, como Peru, Colômbia e, em breve, o México.
Entretanto, a publicação também reconhece que algumas críticas em relação à economia brasileira são equivocadas e imprecisas. Há elogios para a reduzida taxa de desemprego, a elevação dos salários e a constatação de que os investimentos diretos estrangeiros em 2011 atingiram o recorde de 67 bilhões de dólares. A riqueza do Brasil é invejável, diz a Economist, e sua política é mais clara do que a de países como China, Índia e Rússia. Apesar dos problemas, o país vem mostrando a força de sua estabilidade econômica. Ainda assim, conclui a revista, "um pouco menos da mania Brasil seria salutar".

terça-feira, 8 de maio de 2012

Governo manobra a venda da Delta para varrer a corrupção p/ debaixo do tapete, tudo com dinheiro do BNDES.


Na sexta-feira passada, este blog publicou um post informando que o Governo Federal incentivar a compra da Delta pela JBS, onde o BNDES possui 30% de participação, era uma manobra espúria, na medida em que a corrupção estaria dendo estatizada. Hoje o Painel da Folha publica:

O Planalto acompanha aliviado as negociações para o grupo comprar a Delta. Isso porque o TCU já deu sinais de que pretende vetar a operação de redistribuição das obras do PAC tocadas pela empresa para outras empreiteiras, o "plano A" da equipe de Dilma. 

 Resta saber se o TCU vai aprovar esta manobra que varre a corrupção para debaixo do tapete. A decisão única e decente é paralisar as obras, refazer as licitações, tendo em vista a certeza de que estão superfaturadas. A manobra do governo federal só comprova o desespero de tirar a Delta, maior construtora do PAC, de circulação. Nem que para isso tenha que botar, indiretamente, o dinheiro público do BNDES a viabilizar a operação.

domingo, 6 de maio de 2012

Lula está com ódio e rancor e hoje ele representa o único risco do governo Dilma.


Eu não gosto da expressão “passar a história a limpo”. Tem apelo inequivocamente totalitário. Fica parecendo que vivemos produzindo rascunhos e que a história verdadeira nos aguarda em algum lugar. Para tanto, teríamos de nos submeter às vontades de um líder, de uma raça, de uma classe ou de partido para atingir, então, aquela verdade verdadeira. A gente sabe aonde isso já deu. Nos milhões de mortos dos vários fascismos e do comunismo. Assim, não existe história a ser “passada a limpo”. Os países que alcançaram a democracia política, como alcançamos, têm é de lutar para tirar da vida pública os corruptos, os aproveitadores e os oportunistas. Isso é “passar a limpo”? Não! isso é melhorar quem somos. Não por acaso, antes que prossiga, noto que Luiz Inácio Lula da Silva é um dos herdeiros dessa visão totalitária supostamente saneadora — daí o seu mentiroso “nunca antes na história destepaiz“, como se fosse o fundador do Brasil.
A CPI do Cachoeira poderia ser — pode ser ainda, a depender do andamento, vamos ver — mais uma dessas oportunidades em que práticas detestáveis dos subterrâneos da política vêm à luz, permitindo punir aqueles que abusaram dos cofres públicos, das instituições e da boa-fé dos brasileiros. Ocorre que há uma boa possibilidade de que isso não aconteça. E por quê? Porque Lula está com ódio. Um ódio injustificado. Um ódio de quem não sabe ser grato. Um ódio de quem não encontra a paz senão exercendo o mando. É ele quem centraliza hoje os esforços para que a CPI se transforme num tribunal de acusação da Procuradoria Geral da República, do Supremo Tribunal Federal e da imprensa independente. E já não esconde isso de seus interlocutores.
A presidente Dilma Rousseff, cujo governo não é do meu gosto — e há centenas de textos dizendo por que não — já deve ter percebido (e, se não o percebeu, então padece de uma grave déficit de atenção política): o risco maior de desestabilização de seu governo não vem da oposição ou do jornalismo que leva a sério o seu trabalho. O nome do risco é Lula.
Ele quer se vingar. Mas se vingar exatamente do quê? Não há explicação racional para o seu rancor, como vou demonstrar abaixo. Já foi, sim, um elemento que ajudou a construir a democracia brasileira — não mais do que isto, friso: uma personagem que participou de sua construção. Nem sempre de modo decoroso. Em momentos cruciais, para fortalecer seu partido, atuou como sabotador. Mas o sistema que se queria edificar era mais forte do que a sua sabotagem. Negou-se a homologar a Constituição; recusou-se a participar do Colégio Eleitoral; opôs-se ao Plano Real; disse “não” às reformas que estão hoje na base da estabilidade que aí está… A lista seria longa. Mesmo assim, ao participar do jogo institucional (ainda que sem ter a devida clareza de sua importância), deu a sua cota. Agora que o regime democrático está estabelecido, Lula se esforça para arrastar na sua pantomima e na do seu partido alguns dos pilares do estado democrático e de direito.
Por quê? Seria seu senso de justiça tão mais atilado do que o da maioria? É a sua intolerância com eventuais falcatruas que o leva hoje a armar setores do seu partido e da base aliada para tentar esmagar a Procuradoria, o Supremo e a imprensa? Não! Lamento ter de escrever que é justamente o contrário: o que move a ação de Lula, infelizmente, é o esforço para proteger os quadrilheiros do mensalão. Uma coisa é certa: outros líderes, antes dele, já deram guarida a bandidos. O PT não fundou a corrupção no Brasil. Mas só Lula e seu partido a transformaram num fundamento ético a depender de quem é o corrupto. Se aliado, é só um herói injustiçado.
Ódio imotivadoE Lula, por óbvio, deveria estar com o coração pacificado, lutando para fortalecer as instituições, não para enfraquecê-las. Um conjunto de circunstâncias — somadas a suas qualidades pessoais (e defeitos influentes) — fez dele o que é. Em poucas pessoas, o casamento da “virtù” com a “fortuna” foi tão bem-sucedido. O menino pobre, retirante, tornou-se presidente da República, eleito e reeleito, admirado país e mundo afora. Podemos divergir — e como divergimos! — dessa avaliação, mas nada disso muda o fato objetivo. Quantos andaram ou andarão trajetória tão longa do ponto de partida ao ponto de chegada?
Lula deveria ser grato aos aliados e também aos adversários. Qualquer um que tenha um entendimento mediano da história sabe como os oponentes ajudam a formar a têmpera do líder, oferecendo-lhe oportunidades. Não há, do ponto de vista do Apedeuta, o que corrigir no roteiro. O destino lhe foi extremamente generoso. Sua alma deveria estar em festa. E, no entanto, ele sai proclamando por aí que chegou a hora de ajustar as contas. Com quem? Com quê?
Não farei aqui a linha ingênuo-propositiva, sugerindo que o ex-presidente deixe a CPI trabalhar sem orientação partidária, investigando quem tem de ser investigado, ignorando que há forças políticas em ação e que é parte do jogo a sua articulação para se defender e atacar. Isso é normal no jogo democrático. O que não é aceitável é esse esforço para eliminar todas as outras — à falta de melhor designação, ficarei com esta — “instâncias de verdade” da sociedade. Instâncias que são, reitero, instituições basilares da democracia.
Lula e seus sectários chegaram ao ponto em que acreditam que o PT não pode conviver com uma Procuradoria-Geral da República que não seja um braço do partido; com um Supremo Tribunal Federal que não seja uma seção do partido; com uma imprensa que não seja uma das extensões do partido. Todos eles têm de ser desmoralizados para que, então, o PT surja no horizonte realizando a sua vocação: SER A ÚNICA INSTÂNCIA DE VERDADE. Na conversa que manteve anteontem com petistas, em que anunciou — POR CONTA PRÓPRIA — que o governo vai avançar sobre a mídia, Rui Falcão, presidente do PT, foi claríssimo:
“(a mídia) é um poder que contrasta com o nosso governo desde a subida do (ex-presidente) Lula, e não contrasta só com o projeto político e econômico. Contrasta com o atual preconceito, ao fazer uma campanha fundamentalista como foi a campanha contra a companheira Dilma (nas eleições presidenciais de 2010).”
Ou por outra: o bando heavy metal do PT considera que as instituições da democracia ocupam o seu espaço vital, sufocam-no. Se o partido foi vitorioso e chegou ao poder segundo os instrumentos democráticos, uma vez no topo, é preciso começar a eliminá-los. Esses petistas entendem a política segundo uma linha supostamente evolutiva de que eles seriam os mais aptos. Qualquer outra possibilidade significa um retrocesso. É um mito da velha esquerda, herdado, sim, lá do marxismo — ainda que o partido não seja mais marxista nos fundamentos econômicos. Da velha teoria, herdou a paixão pelo totalitarismo.
Já vimos isso antes e alhuresJá vimos isso antes na história. Na América Latina, a Argentina assiste a um processo ainda mais agressivo, conforme revela matéria da VEJA na edição desta semana (falo a respeito em outro post). Os regimes autoritários ou a depredação da democracia não surgem sem justificativas verossímeis e sem o apoio de muitos inocentes úteis e inúteis. Procedimentos corriqueiros do jogo democrático e do confronto de ideias começam a ser ideologicamente demonizados para que venham a ser considerados crimes. Voltem à fala de Rui Falcão. A simples disputa eleitoral, para ele, é chamada de “manifestação de preconceito” das oposições. A vigilância que toda imprensa deve exercer numa democracia é tratada como ato de sabotagem do governo. E ninguém estranha, é evidente, que VEJA esteja entre os alvos preferenciais dos autoritários.
Aqui e ali alguns tontos se divertem um tatinho achando que a pinima de Lula e de seus extremistas é com a revista em particular. Não é, não! É com a imprensa livre. Se VEJA está entre seus alvos preferenciais, deve ser porque foi o veículo que mais o incomodou. Então se tira da algibeira a acusação obviamente falsa, comprovadamente falsa, de que a publicação participou de conspirações contra esse ou aquele. Ora, digam aí os nomes dos patriotas, com carreiras impolutas, que foram vítimas desse ente tão terrível (leiam post abaixo). VEJA não convidou os malandros do mensalão a fazer malandragens. Também não patrocinou as sem-vergonhices no Dnit. Também não responde pela montanha de dinheiro liberado que não se transformou nem em estradas nem em obras de reparo. A revista relatou essas safadezas. Com quem falou para obter informações que eram do interesse de quem me lê de outros milhões de brasileiros? Isso não é da conta de Lula! Ele, como sabemos, só dialoga com a fina flor do pensamento… Só que há uma diferença importante: um jornalista que se respeita não fala com vigaristas para ser ou manter o poder. Se o faz, é para denunciar o poder! E assim foi, o que rendeu a demissão de corruptos e a preservação do patrimônio público.
É claro que isso excita a fúria dos totalitários. Na Argentina, a tropa de Cristina Kirchner costuma ser ainda mais criativa — e, em certa medida, grosseira — do que seus pares brasileiros. Por lá, a agressão à imprensa chegou mais longe. Começou com uma rusga com o Clarín, que apoiava o casal Kirchner. Agora, trata-se de um confronto com o jornalismo livre. A exemplo do que ocorre no Brasil, uma verdadeira horda está mobilizada pelo oficialismo para destruir a democracia. Também lá, a subimprensa alugada pelo poder, conduzida por anões morais, ajuda a fazer o serviço sujo.
Voltando e caminhando para a conclusãoLula e seus extremistas estão indo longe demais! Quando um secretário-geral da Presidência reúne deputados e senadores do seu partido, como fez Gilberto Carvalho, para determinar que o centro das preocupações da CPI deve ser o mensalão, esse ministro já não se ocupa mais do governo, mas de um projeto de esmagamento da boa ordem democrática; esse ministro não demonstra interesse em identificar e pedir que a Justiça puna os corruptos, mas em impedir que outros corruptos sejam punidos. E por quê?
Porque Lula está com ódio? De várias maneiras, o seu conhecido projeto continuísta se mostra, hoje, impossível. Não é surpresa para ninguém que mais apostavam no naufrágio de Dilma algumas alas do PT que nunca a consideraram petista o suficiente do que propriamente a oposição. Estaria eu flertando com o governo, como disseram alguns tontos? Ah, tenham paciência! Não mudei um milímetro a minha avaliação sobre a gestão Dilma Rousseff e sempre escrevi aqui — vejam lá! — que as denúncias de lambanças feitas pela imprensa livre, seguidas das demissões, fariam bem à sua imagem e à sua reputação. Está em arquivo. Sei o que escrevo e tenho, alguns podem lamentar, uma memória impecável. Assim, a presidente não me decepciona porque eu não esperava mais do que isso. Também não me surpreende porque eu não esperava menos do que isso. Contrariados estão alguns fanáticos do petismo que acreditam que há certos “trancos” na democracia que só podem ser dados por Lula. Sim, eles têm razão. Infeliz E felizmente, só Lula poderia fazer certas coisas. E não vai fazê-las. Não se enganem, não! A avaliação de Dilma lá nas alturas surpreende e decepciona os que apostavam no retorno de Lula. Eu não tenho nada com isso porque nunca fui dessa religião… Ou melhor: até fui, quando era menino e pensava como menino, como diria o apóstolo Paulo… Depois eu cresci.
Lula tenta instrumentalizar essa CPI para realizar a obra que não conseguiu realizar quando era presidente: destruir de vez a oposição, botar uma canga na imprensa e “passar a história a limpo”, segundo o padrão do revisionismo petista. Mas a democracia — e ele tantas vezes foi personagem minúscula de sua construção, quando poderia ter sido maiúscula — não vai deixar. Não conseguirá arrastar as instituições em seu delírio totalitário. Tenham a certeza, leitores: por mais que o cerco pareça sugerir o contrário, esse coro do ódio é expressão de uma luta perdida. E a luta foi perdida por eles, não pelos amantes da democracia.
Texto publicado originalmente às 4h49
Por Reinaldo Azevedo

Se os 32 membros da CPI decidirem ler os documentos levarão 200 dias para fazer isso!!!Só pode ser piada.!!!


As regras implementadas para evitar o vazamento de informações sigilosas obtidas pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira virou alvo de reclamações entre os parlamentares que integram a comissão. Para acessar o conteúdo de investigações protegidas por segredo de Justiça, começou a ser montada uma sala reservada, monitorada por câmeras e vigiada por policiais, que deve começar a funcionar na próxima segunda (7).

Poderão entrar no recinto apenas os 32 deputados e senadores da comissão. Dentro, estarão disponíveis três computadores para consulta e será vetada a entrada com qualquer equipamento eletrônico. Apenas três pessoas poderão estar ao mesmo tempo no local. Anunciado nesta quinta (3) pelo presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), o procedimento já despertou queixas entre parlamentares do governo e da oposição. "Vamos ter de discutir este absurdo. Isto é totalmente ridículo. Isto desestimula o parlamentar a trabalhar. O correto é que um assessor de confiança possa ver o material", protestou o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), para quem as regras "ofendem a dignidade dos parlamentares". Leia mais no G1.

Comentário: os documentos somam 15.000 páginas. Se o senador ou deputado gastar 1 minuto por página, necessitará 20 dias, trabalhando com jornada de 12 horas. Só entram 3 parlamentares na sala monitorada. São 32 membros. O resultado desta conta é que serão necessários mais de 200 dias apenas para que os membros da CPMI tomem conhecimento de todas as investigações.

Depois de peitar os bancos Dilma tem a opção de peitar 5,3 milhões de produtores rurais ou meia duzina de ONGS estrangeiras.


Ontem, as ONGS estrangeiras comandaram um verdadeiro ataque contra a democracia brasileira, utilizando modernas estratégias de marketing. É a batalha contra o Código Florestal, a primeira grande reforma feita no Brasil nos últimos anos, coordenada e comandada pelo Congresso Nacional. 

No twitter, lançaram uma hashtag denominada #vetatudodilma. Esta rede social, tentando evitar a manipulação dos resultados, bloqueou a expressão. Junto com a hashtag, as ONGS estrangeiras acionaram os famosos "robôs", usuários fakes. Cada um é capaz de enviar 300 mensagens até ser identificado pelo twitter, que o bloqueia. Mas o estrago está feito. Quase uma hora depois do início do tuitaço,  a coordenação do protesto alertou em plena rede que o twitter estava bloqueando #vetatudodilma e que os participantes deveriam trocar para #dilmavetatudo. Em dois minutos, a expressão, puxadas pelos "robôs", chegou ao segundo lugar nos "trends", o ranking das expressões mais usadas.

No dia anterior, as ONGS estrangeiras haviam publicado um anúncio a cores no Estadão, a um custo de R$ 200 mil, usando a assinatura da presidente Dilma Rousseff e pedindo que ela "assinasse" o veto ao Código Florestal. Na semana anterior, atacaram um enquete da revista Globo Rural, a mais importante do agronegócio, lançando novamente os seus "robôs", fazendo com que um levantamento sem valor científico fosse transformado em propaganda. Como venceram a enquete, o slogan era: nem os ruralistas são a favor do Código Florestal. A revista Globo Rural, alertada, colocou o seu editor-chefe, Bruno Blecher, a baixar o nível contra internautas, mesmo diante da falcatrua que estava sendo cometida. Não é o primeiro jornalista que, mesmo comendo pela mão da agropecuária, ataca o setor. Virou modismo ser contra o Brasl Rural.

Por fim, no dia de ontem, o ápice da campanha. Camila Pitanga(veja post logo abaixo) pediu o veto de Dilma ao vivo, traiçoeiramente, dentro de um evento onde a presidente estava como convidada, sem poder controlar o cerimonial. Mas quem são estas ONGS estrangeiras que atacam a soberania do Brasil e a democracia do nosso país? Vejam, abaixo(cliquem sobre os mesmos para ampliar; ou use ctrl+), um documento da ABIN que analisa a atuação das mesmas em Belo Monte. São as mesmas que atacam o Código Florestal.

Hoje a revista Veja publica uma matéria em que afirma, em seu título, que Dilma é mais ousada que Lula. Que estaria fazendo reformas que o antecessor não teve coragem de fazer. A presidente peitou as ONGS estrangeiras em Belo Monte. Segundo as pesquisas, em vez da sua popularidade cair, subiu. O que significa que a pauta ambientalista é puro marketing, pois o povo sabe muito bem de onde vem a comida que enche a sua barriga. Ontem, uma pequisa mostrou que mesmo que 94% dos brasileiros tenham sensibilidade aos temas ambientais, apenas 3% ligam os nossos problemas à agropecuária. Quase dez vezes mais culpam a indústria e, nisso, estão cobertos de razão. O nosso país tem 61% do território coberto por vegetação nativa, um número que ninguém pode ostentar. Tem porque cuidamos e preservamos. Apenas 27,7% do nosso território é usado pela agricultura. Sabem quantos porcento do país é dos índios? 14%!

Dilma Rousseff tem a caneta na mão. Tem a prerrogativa democrática do veto. È seu direito. Mas também tem da aprovação integral do Código Florestal. Resta saber se a presidente que peitou os bancos vai enfrentar meia dúzia de ONGS internacionais e dois adversários políticos - José Serra e Marina Silva, favoráveis ao veto - ou se vai ficar ao lado de 5,3 milhões de produtores rurais que garantem um quarto do PIB, um terço dos empregos, 40% das exportações e mais de U$ 20 bilhões de superavit primário por ano. A escolha é dela

Cabral recebi 5% e comissão.


Inacreditável, a corrupção no governo Sérgio Cabral não tem limites. Como mostramos, na Operação Castelo de Areia, a Polícia Federal identificou Wilson Carlos, secretário de Governo de Cabral, como sendo beneficiário de 5% de todos os valores repassados à empreiteira Camargo Corrêa por conta de dívidas na Linha 4 do metrô do Rio.

Na mesma operação a Polícia Federal identificou outro homem a quem a propina era entregue. Seu nome é Carlos Emanuel de Carvalho Miranda. Investigamos e descobrimos que durante a gestão de Sérgio Cabral na presidência da Assembléia Legislativa ele ocupava o cargo de consultor técnico da Comissão de Orçamento. Já seria um escândalo, mas prosseguindo nas investigações o nosso blog descobriu que Carlos Emanuel de Carvalho Miranda é sócio de Sérgio Cabral, o governador do Estado na SCF Comunicações e Participações Ltda.

Na composição acionária registrada no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, Cabral tem 90% das ações, Carlos Emanuel tem 5% e pasmem, o Coordenador de Comunicação Social do Estado, jornalista Ricardo Luiz Rocha Cota tem outros 5%. Incrível, mas a empresa que tem o CNPJ 28.722.767 / 0001 – 43 fica localizada na Avenida Borges de Medeiros 2.373 / ap. 201, na Lagoa. Detalhe: endereço residencial.

Cachoeira espionou José Dirceu.


A lente do espião financiado e o veneno do contraventor Carlos Cachoeira revelam, na Operação Monte Carlo, a briga velada entre dois caciques do PT: José Dirceu e Antônio Palocci. Foi num apartamento do Hotel Naoum, em Brasília, que José Dirceu foi monitorado recebendo um time de primeira grandeza do Partido dos Trabalhadores para articular a queda do “companheiro” ministro chefe da Casa Civil, marcando a primeira crise do governo Dilma. A Revista Eletrônica Quidnovi revela com exclusividade uma conversa entre Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres, na qual o contraventor confidencia ao político que financiou o araponga Jairo Martins de Souza para fazer as filmagens clandestinas no apartamento de José Dirceu no Hotel Naoum.
 
O conhecido araponga da Abin, denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PDT-RJ) , em 2005, no escândalo dos Correios,  que culminou com o Mensalão do PT, sempre foi financiado por Cachoeira, que mantinha o esquema de arapongagem para se cacifar junto às autoridades fazendo chantagens.
 
Só para se ter uma noção dos  valores do serviço de Jairo, pelos Correios e pela cassação do deputado André Luiz (PMDB-RJ) foram duas camionetes blindadas: uma para a esposa de Jairo e outra para o próprio ( “presente “ de Cachoeira) e a extorsão de R$ 1 milhão em cima do deputado Roberto Jefferson, que pagou e ficou calado até hoje.
 
Já se sabe que o espião Jairo Martins de Souza entrou no quarto de Zé Dirceu no Hotel Naoum, mexeu na pasta pessoal do ex-ministro, e não se tem notícias se algum documento ou objeto foi subtraído. Ou, se o araponga plantou alguma escuta ambiente