Faz
dois dias, veio a público aquilo que deveria ser uma “bomba” contra
Gilmar Mendes: uma suposta lista de gente que teria recebido propina de
Marcos Valério. A estrovenga teria sido elaborada em março de 1999 e,
pasmem!, assinada por Marcos Valério. Vale dizer: o empresário não só
admitiria o crime — no caso, corrupção ativa — como ainda assinaria
embaixo. Gilmar aparece ali, em março de 1999, como titular da AGU. Ele
só foi indicado para o cargo em janeiro do ano seguinte. Na lista,
também está o agora senador Delcídio Amaral (MS), um petista. Mas não um
petista qualquer: foi presidente da CPMI dos Correios, que apurou uma
boa parte da lambança dos mensaleiros. Em 1999, ele nem havia se
candidatado ainda a cargo eletivo. Por que alguém se interessaria em,
digamos, comprá-lo? Isso fala sobre a seriedade da lista. A “bomba”
falhou. Armada por ineptos.
O artefato
explosivo desta segunda envolve Andressa, a mulher de Carlinhos
Cachoeira, e o juiz federal Alderico Rocha Santos. A história que veio a
público, se verdadeira fosse, atingiria em cheio a imagem da VEJA e do
jornalista Policarpo Júnior. Mas se trata, evidentemente, de uma armação
estúpida. Quem está por trás e com quais propósitos é algo que terá de
ser apurado na instância adequada. Vamos ver. A história já começa toda
errada.
Segundo
Rocha Santos, Andressa insistiu em falar com ele mesmo sem a presença
dos seus (dela) advogados. Tanto ela fez, diz, que ele acabou
concordando. Já aí, dados os antecedentes da turma, não é doutor?, está
dando um primeiro mau passo. Mas ele se precaveu. Só aceitou receber
Andressa na presença de uma assessora sua. Tá. Digamos. No curso do
bate-papo, ela alega que tem questões pessoais a tratar, que dizia
respeito à sua vida pessoal. Solicitou que a assessora saísse, com o que
o doutor Rocha Santos concedeu.
O segundo
mau passo — este, então, impensável. Se não me engano, e não me engano,
este juiz substitui um outro, que se disse ameaçado pela quadrilha de
Cachoeira. Considerando que o doutor Rocha Santos não é consultor
sentimental, não é conselheiro matrimonial nem pertence à Vara da
Família, o que Andressa teria a lhe dizer ou informar que não devesse
ser feito pelos trâmites normais? Àquela altura, tudo ali era anormal.
Ele tem fama de rigoroso, e nada sei que o desabone. Nesse caso, o
procedimento não foi o melhor, certo?
Segundo a
versão do juiz, ela então lhe disse que Cachoeira teria contratado
Policarpo, da VEJA, para fazer um dossiê contra ele. Caso seu marido não
fosse beneficiado por um habeas corpus, o dossiê seria tornado público.
É mesmo, é?
Vamos ver…
Numa história que começou toda errada e continuou no erro, o desfecho não poderia mesmo ser grande coisa. O juiz oferece, como evidência de que Andressa esteve com ele e fez a chantagem, imagens de sua presença no prédio da Justiça Federal e um papel em que ela escreveu três nomes que o implicariam em coisas suspeitas. Encaminhou na quinta-feira um relato do que teria acontecido ao Ministério Público. A mulher de Cachoeira prestou depoimento à PF e terá de pagar fiança de R$ 100 mil; caso contrário, pode ter a prisão preventiva decretada.
Numa história que começou toda errada e continuou no erro, o desfecho não poderia mesmo ser grande coisa. O juiz oferece, como evidência de que Andressa esteve com ele e fez a chantagem, imagens de sua presença no prédio da Justiça Federal e um papel em que ela escreveu três nomes que o implicariam em coisas suspeitas. Encaminhou na quinta-feira um relato do que teria acontecido ao Ministério Público. A mulher de Cachoeira prestou depoimento à PF e terá de pagar fiança de R$ 100 mil; caso contrário, pode ter a prisão preventiva decretada.
O papel
dos safados é mesmo tentar manchar a reputação das pessoas honradas.
Acompanhamos, desde o início da CPI do Cachoeira, as sem-vergonhices que
se tentaram contra VEJA, em particular contra Policarpo. Quem não se
lembra das supostas 200 ligações havidas entre o jornalista e o
bicheiro? Eram duas… Ainda que fossem 2 mil, elas provariam o quê?
Provado está, dada a transcrição das gravações, que lá estava um
jornalista em busca de informação.
Digo,
pois, com alguma ironia, que os vagabundos cumprem o seu papel ao acusar
a revista e seu jornalista de conspirações dessa natureza, mas abusam
da estupidez dos que lhes dão crédito ao inferir, então, que ambos são
idiotas. Por óbvio, nem um nem outro se dariam a tal desfrute. Mas
digamos que sim; digamos que essa fosse a ética vigente por aqui. Só
tomados por rematada imbecilidade VEJA e Policarpo correriam esse risco,
dado o ambiente intoxicado.
Não, não!
Eles sabem que revista e profissional são decentes e não fazem esse tipo
de jogo sujo. Sabem também que não estão lidando com idiotas. Mas
apostam, sim, tudo na ignorância daqueles que lhes dão crédito. VEJA já
deu início aos devidos procedimentos legais. O chiqueiro financiado por
dinheiro público, no entanto, faz a festa e se encarrega de tratar a
história como se verdade fosse.
Quem e o quê estão por trás disso? Qual é a hipótese?
Começo pelo “quê”. É evidente que se trata de mais um passo na inútil tentativa da canalha de atacar a VEJA. O resultado tem sido contraproducente. Mais eles batem e rosnam, mais a revista e produtos jornalísticos a ela associados se consolidam como referência de milhões de pessoas. Não se conformam.
Começo pelo “quê”. É evidente que se trata de mais um passo na inútil tentativa da canalha de atacar a VEJA. O resultado tem sido contraproducente. Mais eles batem e rosnam, mais a revista e produtos jornalísticos a ela associados se consolidam como referência de milhões de pessoas. Não se conformam.
Não posso
dizer com certeza de “quem” é a mão que balança o berço. Posso, no
máximo, estabelecer alguns caminhos lógicos. Descarto, por exemplo, que
Dona Andressa tenha tido só uma ideia infeliz: “Vou lá, chantageio o
juiz, uso o nome da VEJA, ele fica com medo e faz o que eu quero. E vou
fazer isso sozinha”. Não, acho que não! Até porque a moça é formada em
direito. Pode não ser uma “jurista”, mas idiota não é.
Vamos
cuidar aqui de uma hipótese, e tenho o direito de levantar algumas. Tudo
tendo ocorrido como relata o juiz, não estaria querendo Andressa
provocar justamente o efeito que provocou? Poderia alguém, com pleno
conhecimento da parte pantanosa da Justiça e da polícia, ter convencido o
senhor Cachoeira de que o preço de uma aliviada na situação é botar
VEJA na linha de tiro? Não sei se foi assim; não estou dizendo que tenha
sido assim, mas sustento que se trata de algo absolutamente plausível.
Afinal, como diz a canalha mensaleira (sim, ela mesma!), “VEJA tem de ir
para o banco dos réus”. A revista incomoda os candidatos a tiranetes do
Brasil.
Sou lógico
Sou uma pessoa lógica. Tenho claro que nada disso estaria acontecendo sem os dois maus passos dados pelo juiz Rocha Santos. Na presença de seus advogados, certamente Andressa não faria o que fez. Acho que o doutor Márcio Thomaz Bastos, que defende Cachoeira, não endossa esses procedimentos. Ou estou enganado? Também não teria acontecido se a assessora do meritíssimo tivesse testemunhado toda a conversa. Se tudo aconteceu como o relatado, foi a conveniência de um encontro privado que permitiu o assédio e a divulgação de uma mentira asquerosa.
Sou uma pessoa lógica. Tenho claro que nada disso estaria acontecendo sem os dois maus passos dados pelo juiz Rocha Santos. Na presença de seus advogados, certamente Andressa não faria o que fez. Acho que o doutor Márcio Thomaz Bastos, que defende Cachoeira, não endossa esses procedimentos. Ou estou enganado? Também não teria acontecido se a assessora do meritíssimo tivesse testemunhado toda a conversa. Se tudo aconteceu como o relatado, foi a conveniência de um encontro privado que permitiu o assédio e a divulgação de uma mentira asquerosa.
VEJA vai
cobrar na Justiça o agravo. É o que lhe cabe fazer. E vai continuar a
noticiar o que tem de ser noticiado. No sábado, houve a tentativa de
intimidar um ministro do Supremo; na segunda, um ataque à revista.
Comecei a contagem regressiva para que surja uma “bomba” contra o
procurador-geral. E assim vai.
O país
está sendo assombrado por uma máfia. Denunciá-la, combatê-la e
condená-la — viram, senhores ministros do Supremo? — é um dever moral,
ético e legal.